Contato
Foi justamente o contato entre um povo desejoso de conhecimento e inovações, e outro em fuga, devido exatamente a estes predicados, que estabeleceu-se a grandiosidade do Império Árabe.
Deve-se esclarecer que, isto não significa que o povo árabe não possuísse uma cultura rica e desenvolvida, ao contrário, foi um caracter precioso da cultura árabe que permitiu este relacionamento. Foi o respeito pela sabedoria, a tolerância quanto à credo ou raça e a sede de aprender que levaram-los à valorizar, os tesouros que eram trazidos juntamente com aqueles que lhes pediam abrigo.
O contato entre a cultura árabe e a cultura grega, com suas teorias médicas, iniciou-se antes mesmo do aparecimento de Cristo. No século IV a.C. já havia se iniciado o contato entre estas duas culturas, com a migração de um grande número de médicos gregos para a Pérsia, a partir das conquistas de Alexandre Magno.
Em 76 d.C. a destruição de al-Kadisha (Jerusalém) pelos romanos levou os judeus a fugirem em direção à Gundishapur, onde se estabeleceram, com uma grande quantidade dos textos da época.
Mas foi com o domínio da Igreja Católica sobre o Império Romano, que ocorreu durante o governo de Justino, que a intolerância inicia a trágica destruição do pensamento livre na Europa. Um marco importante deste fato é o fechamento da Academia de Athenas pelo próprio Imperador Justino em 529 d.C., que levou a maioria dos filósofos gregos à procurarem abrigo na capital Persa, Jundi Shapur (Gundishapur).
A perseguição ao patriarca Nestório, e seus seguidores, com a acusação de heresia em 431 d.C. levou-os à fugir para o Oriente Próximo. Onde realizaram a construção de um hospital, em Edessa por São Efrém, e posteriormente outro em Gundishapur, em 489 d.C.. A fundação das escolas médicas nestorianas teve importância fundamental no século V, com a tradução dos textos gregos para o siríaco feitas pelos cristãos, levando o pensamento grego para a Síria e a Mesopotâmia.
Desta forma é fácil de se compreender que o encontro de todas estas informações em uma grande capital, tenha se transformado em um processo completamente simbiótico. Onde de um lado se tem o ensinamento e de outro a curiosidade, e acima de tudo a tolerância com aquilo que é novo. A união do conhecimento trazido por todas estas fontes, em um terreno fértil, levou o pensamento europeu a encontrar um novo lar, e lhe deu um caráter persa.
A chegada do exército árabe na conquista do Império Sassânida, cuja capital era a famosa Gundishapur, encontrou a população, que era árabe, já em perfeita harmonia com o conhecimento greco-romano trazido séculos atrás. E a nova fé, trazida por estes, diferente da religião cristã, não só aceitava o convívio com as outras religião, mas principalmente incentivava o desenvolvimento do conhecimento independente do credo daquele que o originasse.
Os califas se tornaram defensores das escolas e das ciências. Foi este respeito pela sabedoria que possibilitou aos árabes reunir um número enorme de informações em todos os campos do conhecimento humano, através de traduções, estudos e reelaborações dos trabalhos gregos e romanos. O que propiciou à um incrível desenvolvimento intelectual.