Saúde Pública e Hospitais
Apesar das grandes diferenças entre os mundos Ocidental e Oriental, as enfermidades e epidemias eram basicamente as mesmas. Foram feitas excelentes descrições sobre epidemias caracterizadas pelo aparecimento de lesões e erupções cutâneas. As enfermidades oculares eram extremamente freqüentes, como mostrado nos textos, com um interesse especial na terapêutica. Os médicos de renome atendiam apenas os ricos e nobres. Uma prova disto é a importância extrema que foi dada ao fato de al-Razi atender aos pobres de graça.
Apesar da semelhança quanto às enfermidades, a assistência sanitária era completamente diferente. As casas e ruas eram limpas e as cidades possuíam saneamento. O ensino médico e a organização sanitária levou a um progresso rápido e acentuado. As primeiras leis higiênicas importantes são atribuídas à Muhamad (Maomé), atribuem-lhe aforismos na obra "Tibb-ul-Nabbi", traduzido com o título "Medicina do Profeta".
Os hospitais também eram diferentes, no mundo árabe a cura do corpo era essencial, já entre os cristãos o principal era a salvação da alma. Os hospitais eram um espelho destes pensamentos, entre os árabes havia a preocupação com a salubridade, a assistência, os meios materiais e a terapêutica, já os hospitais cristãos eram apenas um local onde os pobres apenas aguardavam a morte do corpo. O hospital de Gundishapur foi um exemplo claro, pois passou pelos dois mundos, durante a direção nestoriana foi um hospital tipicamente cristão, que apenas passou a ter idéias árabes quando a direção passou para as mãos dos dirigentes árabes.
Há o registro de mais de 34 hospitais em todo o território islâmico. O primeiro hospital de Bagdá foi fundado pelo califa Harum al-Raschid, no século IX. Mas o grande hospital de Bagdá, fundado pelo califa al-Mutkadir, foi o maior de século X. al-Razi praticou e ensinou nele, foi onde implantou o princípio de se recolher e guardar as histórias clínicas para serem utilizadas em discussões de casos no aprendizado. Outro maior, também em Bagdá, foi fundado no século XI pelo califa Adul al-Daula, onde mais de 35 médicos trabalharam e lecionaram.
O hospital de Damasco foi o maior e mais suntuoso de então, servia também de escola médica, com uma das maiores bibliotecas da época, há registros de pessoas que se fingiam de doentes para poder utilizar os aposentos e a cozinha dele.
O hospital Mansur, no Cairo foi construído em 1283, o próprio sultão se encarregou de suas obras, onde os artesões e operários não puderam trabalhar em nenhuma outra construção até o hospital e os pavilhões à sua volta ficassem prontos. Os convalescentes eram internados em pavilhões, que foram organizados em um orfanato, uma grande biblioteca e enfermarias especiais que atendiam: feridas; afecções oculares; diarréias; feridas, transtornos da mulher e febres, onde o ar era renovado com o uso de fontes. Cada paciente recebia uma ajuda de 5 moedas de ouro para cuidar da família até a sua volta ao trabalho.