Foi o período de maior glória da medicina árabe, com pensamento independente, uma acurada observação clínica, que principiou avanços no diagnóstico e na terapêutica, com a descrição e identificação de várias doenças e novas drogas.
Os principais médicos deste período são:
Rhazes;
Haly Abbas;
Avicena;
Abu Mansun Muwaffaq;
Isaac Judeus;
Jazzar;
Albucassis;
Hasdai Ben Schaprut;
Juljul;
Abenqueft;
al-Bakri;
Ibn Gianah e Ibn Buklarisch;
Haly Rodoan;
Bingezla;
Jesu Haly e
Alhazen.
Os links acima irão te levar para o texto dedicado ao respectivo médico. Nestes, você encontrará dados referentes à vida e obra de cada um.
Espero que não se decepcione com a simplicidade destas, em alguns casos à apenas curtas referencias. Se você possuir mais informações à respeito de qualquer um deles, agradeceria a gentileza de me enviar, que logo atualizarei a Página.
Abu Bakr Muhammad Ibn Zarariya al-Razi (850-923), no Ocidente Rhazes.
Por ter vivido todos os seus sentimentos e ideais da forma mais intensa possível, tem uma biografia extremamente impressionante. Homem que se dedicou obstinadamente aos clássicos, conhecido por sua honestidade e generosidade em relação aos pobres.
Tido como chefe dos médicos de sua época, suas obras foram estudadas por séculos pelos médicos de todo o mundo. Nascido em Tabaristan, indo estudar na escola de Bagdá, retorna à sua cidade natal, onde trabalha no hospital de Raj. Volta à Bagdá em busca de aprofundamento erudito, onde rapidamente se torna médico respeitado e professor de mérito.
Estudou exaustivamente o conhecimento clássico, como os textos de Galeno, Hipócrates, Aristóteles, entre outros. Mas se manteve fiel às suas observações, mesmo quando estas diferiam de tudo que já havia sido escrito. Um de seus famosos aforismos é prova disto: "Tudo que está escrito nos textos tem menos valor que a experiência adquirida por um médico criterioso."
Exatamente devido a este caracter científico, trouxe idéias novas à medicina. Foi o autor de 237 textos originais, que versavam sobre os mais diversos temas: alquimia, anatomia, fisiologia, ética, astrologia, matemática, química, filosofia, religião e medicina. Dos quais os mais importantes são:
"al-Hawi", traduzido em 1279 pelo médico judeu Farag Ben Salem de Girgent com o título de "Liber Continens", por ordem do rei Carlos de Anjou, da Sicília. Composto por 24 volumes, contendo todo o conhecimento do mundo islâmico do século X. É onde o nervo laríngeo recorrente e a spina ventosa são descritos pela primeira vez.
"Liber Pestilentia" é considerado um dos principais livros da história da medicina. O primeiro estudo exato sobre infectologia, difere a varíola do sarampo e das outras doenças exantemáticas, utilizando os sinais e sintomas para fazer o diagnóstico diferencial. Relata que o aumento da temperatura leva ao aparecimento do exantema, e ensina como proteger o rosto, principalmente os olhos e a boca e como evitar as cicatrizes. Demonstra que o tumor causado pelo verme da Guiné e devido a um parasita.
"Uma coletânea de 10 tratados médicos" foi dedicado ao governador de Chorasan, al-Mansur Ibn Ishaq, traduzido para o latim com o nome de "Liber Almansorem". Trata sobre os mais diversos assuntos médicos, os capítulos mais interessantes são: o sétimo, sobre cirurgia geral onde relata o uso do intestino de animais nas suturas; e o nono, sobre o tratamento de todas as doenças, onde introduz uma série de medicamentos na prática médica, como o ungüento mercurial.
Apesar da grande maioria dos seus textos terem sido perdidos, os que chegaram à nossa época demonstram clareza de raciocínio e observação impressionantes. É exatamente por estes predicados que foi considerado uma das mais importantes ligações entre o pensamento médico árabe e greco-romano.
Mas não foi apenas como erudito que se destacou, foi também clínico criterioso e de bom senso. Demonstrou incrível precisão em suas descrições clínicas, tanto em suas discussões de caso junto ao leito, quanto em suas obras. Devido a sua objetividade quanto ao tratamento, que deveria ser o mais prático possível, dava maior importância às dietas do que aos medicamentos, e entre estes, preferia os de fórmula mais simples. Condenava o uso das complicadas fórmulas matemáticas de Abu Yusuf al-Kindi, e os médicos que se gabavam de diagnosticar sem ver o paciente, examinando apenas a urina.
No entanto, também teve certa influência dos diversos textos que leu, seguiu os princípios da patologia humoral de Galeno, praticando sangrias, utilizando pedras preciosas em determinados tratamentos e acreditando que o desejo das mulheres grávidas poderia ser usado como prognóstico do número de filhos desta.
Mas apesar de todos os seus acertos e enganos como médico e erudito, foi um homem de caracter forte e notável. Durante sua vida recebeu um farto saldo em bens, devido às inúmeras honrarias e grande sucesso que alcançou. Mas morreu em completa miséria, em vista da sua enorme generosidade e dedicação com relação aos menos favorecidos. Atendia inteiramente de graça àqueles que não possuíam dinheiro, e a importância que os autores da época davam à isto, demonstra que era um fato raro.
No entanto não foi apenas generoso, sua honestidade era tida como imaculada. Viveu seus últimos anos cego, por uma surra que sofreu, devido a irá de um califa que se sentiu ofendido, por sua honestidade quanto ao que achava da ambição deste em relação ao dinheiro público. Se recusou a realizar uma cirurgia que lhe traria de volta sua visão, ao descobrir que o cirurgia não conhecia com exatidão a anatomia do olho.
Por todos estes predicados, teve uma influência impressionante, não só sobre os seus inúmeros discípulos e médicos da época, mas também sobre a população em geral. Foi um exemplo a ser seguido, como estudioso, médico e acima de tudo homem de caracter.
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Ali Ibn úl-Abbaa (?-994), no Ocidente Haly Abbas
Nasceu em Ahwaz, próximo à Gundishapur, Um dos principais autores árabes, escrevendo no final do século X, seus livros foram uma mistura de comentários sobre Hipócrates, Galeno, Oribasius, Paulo de Égina e al-Razi.
Seu principal livro foi "Kitab I Maliki", traduzido por Constantino Africano em 1180 com o título "Pantegni", e por Estevão de Antióquia em 1200 como o título "Liber Regius". Neste é descrito pela primeira a existência de um ligação entre artérias e veias por poros invisíveis.
Estes textos foram amplamente traduzidos no Ocidente, principalmente os que versavam sobre cirurgia. Seus livros constituíam os pilares do conhecimento médico árabe até o aparecimento do "al-Qanun" de Avicena.
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Abu Ali al-Husayn Ibn Sina (980-1037), no Ocidente Avicena
Tem tanta importância quanto Galeno, tanto entre muçulmanos quanto entre cristãos. Esta importância se dá devido à sua natureza, mais como erudito e homem de ciências do que como médico.Nasceu em uma pequena cidade próxima à Bokhara, na Pérsia. Foi um menino-prodígio, sendo que aos 10 anos de idade já comentava e discutia o "al-Coran" ("Corão"). Logo foi atraído pelos textos de Aristóteles, estudando exaustivamente todos os seus comentadores, principalmente os comentados por Abu Nash al-Farabi.
Além da medicina também se dedicou às ciência naturais, foi um importante compilador e comentador. Aos 16 anos iniciou sua obra, que aos 21 anos culminou em uma enciclopédia científica, tratando de temas que versavam sobre: gramática, poesia, geometria, astronomia, anatomia, fisiologia, matéria médica, cirurgia, entre outras.
Também foi o autor de mais de 100 livros originais, cujo principal foi "al-Qanun" ("Cânone"). Nos quais, inúmeros tradutores, mestres, estudantes, médicos e práticos, basearam toda o conhecimento científico por séculos. E não foi no Oriente que Avicena teve influência, até meados do século XVII as universidades cristãs basearam seus estudos nestes mesmos livros. Isto se deve à histórias clínicas claras, indicações terapêuticas precisas, construídas logicamente e sem exageros, eloqüência e estilo vigoroso.
"al-Qanun" foi traduzido pela primeira vez por Gerard de Cremona no século XII. Neste livro Avicena tentou coordenar todas as doutrinas médicas de Hipócrates e Galeno, e os conceitos biológicos de Aristóteles.
É dividido em Livros:
- 1º Livro - trata sobre a teoria da medicina e é dividido em fens:
- 1º fen - define a medicina, os métodos que emprega e seus traços fundamentais.
- 2º fen - fala sobre as doenças gerais, seus sintomas e longas observações e preceitos minuciosos sobre o pulso e a urina.
- 3º fen - sobre preceitos higiênicos e profiláticos.
- 4º fen - sobre terapêutica em geral, principalmente clisteres purgativos, cauteres, etc.
- 2º Livro - trata sobre medicamentos simples, apesar de baseado nos textos de Dioscórides, apresenta informações sobre várias drogas novas.
- 3º Livro - examina as doenças de acordo com a sua localização, com descrições interessantes sobre doenças da pleura, pleuriz, doenças do intestino, doenças venéreas, entre outros sistemas.
- 4º Livro – trata sobre doenças gerais que acometem vários aparelhos, descrevendo um certo número de doenças infecciosas.
- 5º fen – trata de cirurgias como fraturas e luxações.
- 5º Livro – discute os modos de preparação de medicamentos.
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Contemporâneo de Avicena, em 975 foi autor de "Compêndio dos remédios simples", onde se via uma enorme gama de novos medicamentos. Este compêndio teve uma grande importância filosófica e histórica, sendo largamente utilizado no Oriente e no Ocidente.
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Abu Ya’qub Ishaq Sulayman al-Israili, no Ocidente Isaac Judaeus
Nascido em Qairawan, na Tunísia, trabalhou com o califa fatimita, al-Mandi. Foi um oculista eminente, e é colocado como um dos maiores médicos do islã ocidental.
Foi o autor de "De Particularibus Diætis", obra dietética que foi traduzida em 1487 para o latim. Também escreveu "De Elementis", "De Febribus" e "De Urina", que foram traduzidos por Constantino Africanos no século XI em latim. Em 1515 estas três obras foram editadas em conjunto, com o nome "Opera Omnia Issaci". Em seu livro "Guia dos médicos", escreveu vários aforismos, todos baseados nas idéias de seu mestre al-Razi.
"Deves procurar que o paciente tenha fé em sua cura, ainda que tu não estejas seguro dela, porque assim favoreces à força curativa da Natureza."
"Não confies nas panacéias, porque quase sempre são fruto da ignorância e da superstição."
"Se podes curar o paciente valendo-se de uma dieta, não recorras aos medicamentos."
"A maior parte das enfermidades é curada sem a ajuda do médico, graças à ação da Natureza."
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Ibn al-Giazzar (920-1009), no Ocidente Jazzar
Nascido na Tunísia, foi discípulo de Isaac Judaeus. É lembrado por sua obra "Zad al-Musafir", que foi traduzida por Constantino Africanos em latim, "Viaticum Peregrinantis", e em grego, "Ephodia".
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Abu I-Qasim al-Zahrawi (936-1013), no Ocidente Albucassis
Entre seus textos defendeu o uso do cautério, das ventosas e da sangria, acreditando nas suas contribuições benéficas. Apesar de ter sido fortemente influenciado pelos textos de Paulo de Égina, os preencheu com várias modificações criativas.
"al-Tasrif", seu principal livro, foi o primeiro livro sistemático e ilustrado sobre cirurgia, com cuidadosas descrições, conselhos práticos, abordagem meditada, razoável e ética demonstrou incrível conhecimento dos textos antigos e de ser prático sábio e hábil, além de ricas ilustrações sobre a técnica e instrumentos cirúrgicos da época. Foi traduzido para o latim por Gerard de Cremona com o título de "Vade-Mécum", sendo o texto cirúrgico que mais aparece no ocidente, como principal fonte dos cirurgiões do século XIV.
"al-Tasrif" é dividido em três livros:
- 1º Livro – Faz um estudo esmiuçado do uso do cautério nas afecções cirúrgicas, na hemorragia arterial recomenda o uso do tamponamento digital antes do cautério.
- 2º Livro – Tratando sobre as cirurgias em si, recomenda que antes de se realizar qualquer procedimento deve-se preparar um plano exato, nunca se esquecendo que "Deus Onipotente e Misericordioso" está vigiando sua obra, e que não se deve realizar um cirurgia apenas pelo ganho monetário.
Avalia as indicações e descreve em detalhes diversas cirurgias, principalmente litotomia, herniotomia, ferimentos abdominais, trepanações, amputação, operação de fístulas, bócio, aneurisma, drenagens torácicas, etc. Além de recomendar o uso de cateter de prata, em detrimento ao de cateter de bronze, nas afecções de bexiga.
Também recomenda o uso de osso de boi para a realização de próteses dentárias.
- 3º Livro – Trata cuidadosamente das fraturas e luxações, recomenda o estudo detalhado da anatomia.
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Médico judeu nascido na Andaluzia, foi ministro do califa Abd al-Rahman III, de Córdoba. É descrito como clínico criterioso, com grande clareza de visão para o prognóstico e terapêutica.
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Ibn Golgol, no Ocidente Juljul
Médico da corte omíade na Andaluzia, contemporâneo de Albucassis. Autor de "Vidas de Médicos e Filósofos", inteiramente perdido.
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Ibn Wafid (997-1074), no Ocidente Abenqueft
Nascido em Toledo, foi ministro de Estado, autor de um dos mais famosos livros de terapêutica utilizados no ocidente.
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Nasceu em Córdoba, geógrafo famoso, escreveu "Experiências Médicas" com ótimos conselhos sobre terapêutica.
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Médicos judeus, foram autores de famosos livros sobre diversos medicamentos.
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Ali Ibn Ridwan, no Ocidente Haly Rodoan
Egípcio do século XI, demonstrou vasto conhecimento sobre a medicina grega e egípcia antiga, escrevendo sobre uma topografia médica do Egito, revelando as más condições higiênicas da cidade do Cairo.
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Ibn Giazla, no Ocidente Bingezla
Cristão nestoriano convertido para o islâmismo, autor de um famoso texto de farmácia.
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Ali Ibn Isâ, no Ocidente Jesu Haly
"Tadhkirat" sei principal livro sobre a visão, memorial para os oculistas, largamente utilizado, tanto pelo oriente quanto pelo ocidente. Traduzido para o latim e o hebraico durante a Idade Média, ainda é objetivo de estudos, traduzido para o alemão em 1904, por Lippert, e para o inglês em 1936, por Casey Wood.
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Abu Ali al-Hasain Ibn al-Haitham (965-1039), no Ocidente Alhazen
Médico de Basra, é considerado até hoje como uma das figuras mais importantes da óptica, autor de vários textos, cujo principal foi "Da Optica", onde contrariando as idéias da época, defende que os raios vem em direção ao olho e não vice-versa, descreve também que o objeto se forma invertido na retina.
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