Terceiro Período


Compreende o período que vai do século XII ao XVII, e coincide com as guerras entre o Ocidente e o Oriente e as invasões turcas. Os médicos ilustres e famosos fugiram para os lugares governados por homens como Nur al-Din Ibn Zenge, califa de Damasco, ou Salah al-Din Ibn Ayub, califado do Egito. Estes homens ainda resistiam aos cristãos, e promoviam o progresso da medicina por todos os meios, foram fundadores de grandes escolas e hospitais.

Os principais médicos deste período são:
Edrisi;
Avenzoar;
Averróis;
Maimônides;
al-Latif;
Mesue, o moço e Serafion, o moço;
al-Ghafiqui;
al-Qaisi;
al-Dakhwar;
Annafis;
al-Baitar;
al-Israili;
al-Khatib;
Ibn Khatima e
al-Antaki.

Os links acima irão te levar para o texto dedicado ao respectivo médico. Nestes, você encontrará dados referentes à vida e obra de cada um.

Espero que não se decepcione com a simplicidade destas, em alguns casos à apenas curtas referencias. Se você possuir mais informações à respeito de qualquer um deles, agradeceria a gentileza de me enviar, que logo atualizarei a Página.






Muhamad al-Idrisi, no Ocidente Edrisi


Médico da família dos califas de Marrocos, foi o autor de um excelente tratado sobre drogas. Além de um importante livro sobre geografia.

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Abu Marwan Ibn Zuhn (1091?-1162), no Ocidente Avenzoar


Médico árabe nascido em Sevilha, seguiu os passos de Rhazes. Também grande estudioso, assim como Rhazes rechaçou de forma veemente os textos clássicos e suas idéias, principalmente de Aristóteles, e Galeno. Também negou as idéias de Avicena e condenava o uso do misticismo e da astronomia na medicina.

Foi talentoso clínico, realizando descrições acuradas, de várias doenças, principalmente da sarna e da pericardite, doenças das quais ele mesmo padeceu. Considerado cirurgião experiente, com vários textos sobre o assunto, com descrições detalhadas sobre vários procedimentos, como a traqueotomia.

Também descreveu em seus textos, técnicas de preparação de medicamentos, aplicações práticas de dieta e alquimia. Assim com Rhazes previne que o médico deve confiar mais em sua própria experiência, que nas doutrinas tradicionais.

Com a tradução de seus diversos textos, teve uma importante influência sobre a alquimia e a medicina na Europa Medieval.

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Abu al-Walid Muhammad Ibn Ahmad Ibn Rusd (1126-1198), no Ocidente Averróis


Médico árabe nascido em Córdoba, da qual foi governador. Discípulo de Avenzoar, estudou além de medicina, jurisprudência e filosofia. No entanto, ao contrário de seu mestre, foi seguidor das idéias de Aristóteles. Baseado nas idéias do mestre grego, assim como Avicena, foi autor de um grande compêndio médico, intitulado "Kitab al-Kollijat", traduzido para o latim como "Colliget". Em "Kitab al-Kollijat" realizou um grande comentário sobre Aristóteles, que foi muito estudado na Europa, onde deu lugar ao Averroismo, movimento filosófico médico.

Mas, apesar das semelhanças com Avicena, ao contrário deste se utilizou das idéias de Aristóteles para rechaçar o papel da religião no conhecimento humano. Avicena interpretou Aristóteles de forma que sua filosofia se conciliasse com as crenças religiosas aceitas. Averróis interpretou os mesmos textos, sobre a imortalidade da alma, como a união da alma com a Natureza e o Universo, dando à religião papel secundário.

Com estas idéias foi condenado tanto pela Igreja católica quanto pela islâmica. E apesar de importantes influências políticas em Córdoba e em Marrocos, e de sua grande popularidade, caiu em desgraça.

Foi salvo por seu discípulo Maimônides, que se utilizou da comunidade judaica, para assegurar a sua saída da Andaluzia.

Talvez por seu enfrentamento com as autoridades religiosas, se tornou extremamente popular e, seus textos foram traduzidos e difundidos pela Europa.

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Mose Ibn Maimón (1135-1204), no Ocidente Maimônides


Médico judeu nascido em Córdoba, discípulo de Averróis, a quem salva a vida ocultando-o. Embarca para Fez, no Marrocos em 1160, depois parte para a Palestina e de lá para o Cairo, onde se torna médico particular do sultão Yussuf Salah al-Din Ibn Ayub (Saladino).

Como seu mestre, professava a teoria dos quatro humores de Galeno, seguindo os métodos da medicina árabe. Autor de inúmeros textos, onde explora vários temas.

"Fusul Musa" traduzido como o nome de "Princípios Médicos" ou "Aforismos de Moisés" realiza uma coletânea de aforismos de Hipócrates e Galeno. "Tadbir al-Sihhar", traduzido como "Regimen", em homenagem ao filho primogênito de Salah al-Din que sofria de melancolia. "Maquala fi-la-jima" , traduzido como "Ars Corundi", tratado em 19 capítulos sobre sexualidade, dedicado ao sultão Hamah. "Tratado de Venenos" com observações interessantes sobre raiva, dardos envenenados, e variados venenos, com seus casos clínicos e antídotos.

Mas suas obras mais importantes foram o "Livro dos Preceitos", escrito na forma de cartas para o sultão Saladino, com notáveis conselhos sobre dietas, higiene, primeiros socorros, tratamento contra venenos, e medicina geral; e a tradução do Cânone de Avicena para o hebraico. Foi a partir desta tradução que o livro do médico árabe foi difundido pela Europa cristã. Alguns autores erroneamente apontam Maimônides como autor da "Oração matinal do médico".

Tenta, através de alguns destes textos, reconciliar o pensamento científico e a fé religiosa de então, com a intenção de retirar o rótulo de herege, atribuído à seu mestre. Por causa desta tentativa encontra vários adversários entre os judeus, que somente o reconhecem como grande médico e filósofo após a sua morte.

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Abd al-Latif


Contemporâneo de Maimônides, viveu em Bagdá. Durante uma viagem ao Cairo, onde pretendia encontrar Maimônides, deixou uma descrição precisa dos terremotos e epidemias que devastaram a região entre 1201 e 1202.

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Mesue, o moço e Serafion, o moço


Médicos que estudaram diversas drogas, sendo autores de tratados de farmacologia que traziam novos medicamentos.

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Muhamad al-Ghafiqui (?-1165)


Médico oculista, autor de um tratado de oftalmologia, traduzido diversas vezes, sendo a última em 1933, para o francês por Max Meyerhof.

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Ahmad al-Qaisi


Médico nascido no Cairo, que recebeu o título de "príncipe dos médicos egípcios". Escreveu um tratado sobre o olho, dividido em 14 capítulos, "Resultados da Medicações sobre o Tratamento das Perturbações da Visão".

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Muhaddhib al-Din al-Dakhwar (séc.XIV)


Médico famoso de sua época, considerado grande erudito, legou sua casa, biblioteca e um grande donativo para a fundação de uma escola médica.

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Ali al-Din Ibn al-Nafis al-Qurash (?-1288), no Ocidente Annafis


Nascido em Damasco, se tornou o principal médico do Egito, foi discípulo de Muhaddhib al-Din al-Dakhwar. Autor de um tratado onde discorda de Avicena e Galeno, declarando que o septo interventricular não era permeável e descreve uma ligação invisível entre as arteríolas e veias, tanto no pulmão, quanto nos tecidos, antecipando a circulação sangüínea.

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Ibn al-Baitar (1197-1248)


Médico nascido em Malaga, realizou diversas viagens para Índia, China e Europa, para compilação dos fármacos da época. Devido a isto foi um dos principais inovadores dos medicamentos utilizados, considerado herdeiro de Dioscórides.

Seu principal livro foi "O Corpo dos Simples", considerada a mais completa obra no campo da matéria médica e botânica. Compila não só toda a matéria médica clássica, mas traz inúmeras observações pessoais, com notas críticas, baseadas em uma longa experiência. Descreve mais de 14.000 medicamentos, destes 300 são inéditos: âmbar, almíscar, maná, cravo da Índia, pimentas, sanguis dracones, gengibre da China, noz de Betel, sândalo, noz moscada, ruibarbo, tamarinho, cânfora, sene, fístula, óleo de aroton, noz vomica e muitos outros. Esta obra foi traduzida em 1880 para o francês por Leclerc.

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al-Kuhin al-Attar al-Israili


Autor de um livro farmacêutico, considerado um dos melhores textos sobre farmácia. Que serviu de modelo para os textos científicos modernos e para a preparação de drogas, colheita e preservação dos simples.

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Ibn al-Khatib (1313-1374)


Foi célebre homem de Estado, historiador e médico criterioso. Foi contra a crença do "al-Coran" ao dizer que o contágio da peste vem de roupas e roupas de cama sujas e outros objetos de uso pessoal. Defendeu a necessidade de isolar os pacientes que estivessem contaminados.

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Ibn Khatima (?-1369)


Afirmou os perigos de contágio e descreveu a peste que acometia a cidade de Almeria.

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Dawud al-Antaki (?-1599)


Nascido em Antióquia, viveu no Egito. Autor de "al-Tadhkira", traduzido com o título de "O Memorial", importante dicionário de medicamentos, até hoje usado e consultado.

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